UMA ELITE POLÍTICA VERGONHOSA QUE NÃO SE SENTE BRASILEIRA, QUE DESPREZA O POVO E POUCO SE IMPORTA COM O PAÍS, E SÓ PENSA EM SEUS PRÓPRIOS INTERESSES
foto: José Cruz/ Agência Brasil
Na foto, políticos extremistas ocupam a mesa diretora da Câmara dos Deputados.
Há políticos muito bons e que admiro e pelos quais nutro muito carinho e respeito, como os saudosos Mário Covas, Darcy Ribeiro e Brizola e os não tão jovens Suplicy e Erundina, além da brilhante Sâmia. A colocação do título, portanto, não atinge a toda a classe política, mas a uma elite política específica, como explicarei ao longo do texto. Feita essa introdução necessária, passo ao texto de hoje.
Estou em um período de muita leitura, mas de temas que eu gosto, como história do Brasil, e outros que passei a gostar, como economia e filosofia. E quanto mais eu leio, menos eu gosto de nossas elites, em especial a política. Ela é o verdadeiro retrato do atraso. Obviamente há políticos muito bons, mas são a minoria. O que mais reverbera no Congresso, porém, é a voz do atraso e que gera vergonha e também revolta. Essa é uma elite que pouco se importa com o povo. Na verdade, a detesta, e se sente pertencente a outros povos, colonizadores ou imperialistas, e trabalha contra o Brasil e os brasileiros, basta ver como votam e como agem, em especial a extrema direita belicosa e ignorante.
Há menos de um ano, Eduardo agiu nos bastidores nos Estados Unidos, sendo bancado em boa parte com dinheiro público (salário de deputado federal e de escrivão da polícia federal). A polícia federal apura, agora, se o dinheiro enviado por Vorcaro para os Estados Unidos foi utilizado por Eduardo para bancar sua vida extravagantemente luxuosa, como indicam suas constantes viagens e como foi verificado pelo Intercept Brasil ao localizar a casa em que o ex-deputado reside.
Agora é a vez do Flávio Bolsonaro, com o apoio de Eduardo Bolsonaro e de Paulo Figueiredo, mais uma vez, agirem contra o Brasil, permitindo que os Estados Unidos promovam sanções contra brasileiros e até ataquem ou invadam o país.
Se isso não é a elite do atraso, realmente não sei o que é.
Não trabalham pelo Brasil. Trabalham por pautas que tragam visibilidade, vantagens econômicas ou poder, não se importando com quem se aliam. Vejam as pessoas presas provisória ou definitivamente e investigadas que constam das fotos dos personagens acima.
O Brasil é um país maravilhoso e que acolheu os meus ascendentes que vieram para cá há mais de 100 anos, inclusive a menina indígena da família da minha mãe que casou ainda adolescente, como era comum naquele período.
O Brasil sempre foi receptivo, acolhedor e belo! Entretanto, a elite a que me refiro não aprecia o Brasil e suas belezas. Sente-se pertencente ao centro do capitalismo (Estados Unidos) ou de países europeus e trata o Brasil como periferia, mesmo sendo o país onde os membros dessa elite nasceu e fez riqueza.
Enquanto isso, vemos pessoas dependentes de crack sem tratamento, pessoas em situação de rua, pessoas desesperadas por não poderem pagar contas ou despesas com remédio ou aluguel, prática de racismo e de discriminação contra pretos, pessoas do grupo LGBTQIA+, islâmicos, membros de religiões de origem africana e também muita agressividade e homicídio contra nossas mulheres.
O crime domina não só a vida de certos políticos influentes e "donos" de partidos, mas bairros da periferia submetidos aos atos imperiais das milícias e demais organizações criminosas e o"modus vivendi" de muitos brasileiros. O estilo de levantar vantagem reflete um pouco da larga convivência dos brasileiros com a criminalidade e que coroa atitudes de comprar produtos de origem criminosa, de sonegar impostos, de agredir verbalmente quem pensa diferente nas redes sociais. E não para aí.
A solução dos problemas não é fácil. Ao mesmo tempo em que exige disposição do administrador de boa vontade, também exige seriedade e compromisso de toda a estrutura da segurança pública, e sempre há um ou outro que aderiu à corrupção proporcionada pela criminalidade, inclusive do crime organizado.
As drogas vêm de nossos vizinhos e as armas dos criminosos vêm dos Estados Unidos, o mesmo que quer nos sancionar e invadir, e o Congresso nada faz para ampliar a força em orçamento, pessoas e material da Polícia Federal e de nossas Forças Armadas nas fronteiras. Ao contrário, destina dinheiro público a filmes de políticos, a Igrejas, sem seriedade ou compromisso com o país.
Assim, os votos mais importantes, como vi um jornalista realçar, são o para vereador, deputado estadual, deputado federal e senador. Prefeito, Governador e Presidente têm os poderes limitados excessivamente pelo legislativo, em especial no âmbito federal.
A nossa Constituição Cidadã foi sendo remendada e adulterada ao passar dos anos, mas manteve alguns princípios e dispositivos vitais à sociedade íntegros. As mudanças atendiam a diversas pretensões do mercado, que cada vez mais esteve presente no poder, mesmo não sendo visto.
A democracia ocidental se revela uma piada, mas falamos mal da China, onde as pessoas têm ensino de qualidade, saúde tradicional e também inovadora, moradia, trabalho que permite uma vida digna e preocupação social e também muita, e bota muito nisso, alta tecnologia disponível à sociedade. Os milionários podem ser ricos, mas não interferem na política porque o Estado põe uma barreira rígida. Lá quem manda são os políticos, ninguém mais. Os projetos são de longo prazo e a preocupação lá constante não é com grupos econômicos, mas com os interesses do país, obviamente econômicos, sociais e geopolíticos, e sempre com o povo chinês, nada mais.
Temos que repensar a forma como fazemos política. Uma reforma nessa área é imprescindível e urgente. Mas também precisamos educar melhor nossas crianças e jovens para que conheçam nossa história e nutram respeito, admiração e carinho pelo país. E que essas versões horrendas de políticos que se intitulam patriotas e são entreguistas não mais floresçam em nosso solo.
Precisamos colocar o compromisso com o país em primeiro lugar, não de forma populista, mas pensada, planeja e séria. Estamos falando de compromisso, verdade e seriedade.
Talvez devessemos chegar ao fundo do poço para valorizarmos o país e o vermos como ele realmente é, maravilhoso, lindo e com um povo bom, e que necessita de muitas mudanças não na natureza, mas em muitos dos homens que ocupam cargos de liderança e de poder, para que passem, ao menos, a gostar realmente do povo e do país. São mudanças vitais.
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