JOGOS DO BICHO, APOSTAS LEGAIS, BETS, DROGAS E CAPITALISMO. TODOS VICIAM E CAUSAM MUITOS MALES. CHEGOU A HORA DE TRATARMOS PARA VISUALIZARMOS NOVAS POSSIBILIDADES.
Posso não parecer conservador, mas acima de sê-lo, sou respeitador e sempre tento criar empatia. Respeito a opinião e o posicionamento, seja ele qual for. Só não tolero extremismos que coloquem em risco vidas humanas ou que segreguem ou levem à miséria pessoas, como o são o nazismo, o sionismo de Netanyahu, a ku klux klan, os adeptos da extrema direita brasileira e alguns outros radicais sem o mínimo de bom senso.
Digo isso para justificar por que em algumas questões tenho um posicionamento duro, às vezes polêmico para alguns.
Para mim é inquestionável que uma pessoa dependente de drogas (não falo em mero usuário, mas em adicto) e que não reúna condições de escolhas, dentre as quais de tentar largar ou não o vício, deve ser - após a comprovação de tal condição, a fim de evitar desvios e exageros - imediatamente internada para a desintoxicação e tratamento. Não podemos nos calar perante um óbito em potencial, já sinalizado. E não é apenas o direito à vida que pode ser violado, mas o da própria liberdade de fazer escolhas pessoais. São, poderá fazer escolhas. Sob o efeito perverso do vício, não há escolhas, mas dependência, tão somente. A necessidade de internação, nas condições mencionadas acima, para mim é inquestionável, e qualquer posicionamento em sentido contrário seria - segundo o que penso - em desacordo ao direito à vida que o dependente tem e até mesmo a possibilidade de prática do crime de omissão de socorro por familiares e membros da sociedade, e se for(em) chefe(s) do executivo do(s) ente(s) federado(s) responsável(is), até a possível prática de crime de responsabilidade.
Dessa forma, não poderia deixar de me manifestar sobre as chamadas BETs e demais jogos, inclusive os demais já legalizados, além dos ilegais. Qualquer jogo que envolva aposta acarreta sérias chances de viciar, e isso gera uma epidemia incontrolável, como já está começando a ocorrer no Brasil, onde pessoas deixam de fazer refeições para gastar em apostas, na esperança de ficarem ricos. Acho que isso vale para os jogos da caixa, jogos do bicho e as bets.
As bets derivam do mesmo termo em inglês que significa apostas. São jogos "online", que envolvem dois tipos de vícios em potencial, o de vivenciar além do tempo razoável o mundo da internet ou nicho específico e o do vício em jogos de aposta, que pode acarretar prejuízo não só à pessoa, mas ao seu núcleo familiar, como o faz a droga.
Mas há algo tão ou mais grave e enraizado, com vários séculos de existência, que têm o mesmo efeito das bets. É a Fé no capitalismo. Nele as pessoas creem na possibilidade bem restrita de ficarem ricas e gastarem em supérfluos e coisas absolutamente desnecessárias, terem luxo, ostentarem. Só que no capitalismo a chance de todos ficarem ricos é zero, pois a riqueza é limitada. Portanto, se todos trabalharem e se esforçarem, tomarem banhos gelados, acordarem às 5 da manhã e trabalharem por 12 horas, quase nenhum deles ficará rico. A riqueza depende de certos fatores e não necessariamente do esforço pessoal, que é um fator de mínima relevância perto dos demais. Os demais fatores, deveras importantes, são: herança e diversas modalidades de práticas ilegais. Por isso vemos tantos empresários envolvidos em escândalos financeiros, embora poucos deles venham a ser presos.
O capitalismo é atividade de risco que não traz segurança nenhuma a qualquer pessoa e sua família. É uma aposta. E, mesmo assim, muitos continuam apostando no capitalismo que tantos males trouxe à humanidade, como a escravidão massiva de séculos atrás, genocídios, guerras mundiais, poluição, miséria, fome, aquecimento global e, em decorrência, catástrofes ambientais. Temos que pensar além das paixões, respeitando o ser humano e ver qual o melhor sistema para que a humanidade possa coexistir em harmonia com o planeta e que respeite o mínimo de decência, pelo menos, a todo e qualquer humano, que o permita vivenciar os seus potenciais, artísticos ou não, que permita a ampla e irrestrita vivência da solidariedade, que não abafe o amor, mas o multiplique, e que a felicidade não seja restrita a alguns, mas assim como a dignidade deveria ser, destinada a todos, desde o nascimento. Não se trata de utopia. Trata-se de algo possível e que pode ser concretizado. Vivenciamos séculos de dependência do capitalismo. Está na hora de largarmos esse vício e enxergarmos a realidade, os males que corremos em nossas vidas, os males que praticamos em razão desse vício e toda a realidade que nos fizeram deixar de enxergar. A natureza está nos internando em um mundo de caos gerado não por ela, mas pelo próprio sistema criado pelo homem, o capitalismo, recheado de dores, injustiças e pesadelos que geram várias doenças psíquicas ou transtornos mentais.
Mais ainda que as drogas, o capitalismo gera a cada dia milhões de novos adictos, dependentes desse sistema e incapazes de enxergar outras possibilidades.
As BETs são um problema sério, assim como as drogas, mas a dependência mais grave e cruel é a do capitalismo. Pena que a sociedade não seja capaz de enxergar assim esse sistema que tanto mal faz às pessoas, às sociedades e à natureza, colocando em risco não a existência de um ou mais indivíduos, nem de grupos, mas a própria humanidade como um todo. Há tratamento para isso, que é vivenciar cada vez menos o consumismo, não valorizar o luxo e se esforçar e aprender a ter empatia. Daí, aos poucos, a crítica necessária surge, bem como a visão de que um novo sistema é necessário e possível. Com isso, a necessidade e a criatividade humanas, observando sociedades ancestrais e dos povos originários, serão capazes de inventar um sistema menos cruel ao indivíduo, à sociedade e ao mundo em que vivemos.
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