EU POSSO ATÉ SER BREGA, MAS ESSES POLÍTICOS DA EXTREMA DIREITA SÃO É CAFONAS!

Não costumo falar da minha vida neste blog, mas tenho que voltar no tempo para demonstrar que esse escritor aqui, às vezes sério demais, às vezes sisudo, às vezes estressado, às vezes carinhoso e terno, foi e é bem brega.

Lembro dos tempos de quando era criança e que tinha uma amiga mais velha, a faxineira da casa dos meus pais, a Ana Maria. Quando ia limpar o quintal de casa, ela colocava um som alto em seu potente "radinho a pilha", uma raridade hoje em dia, e sintonizava uma determinada rádio AM, aquela do então famoso Zé Béttio, e soltava o seu potente (no sentido de ser contagiante) som.

Talvez você não tenha ouvido falar daquele senhor, mas ele fazia muito sucesso à épóca, lançando músicas populares brasileiras que ocupariam o topo do ranking das mais tocadas em todo o nosso gigantesco Brasil. 

Lembro de ter ouvido o Sidney Magal pela primeira vez nos shows do radinho a pilha de Ana Maria. Era uma música melhor que a outra, uma mais contagiante que a outra e todas, sem exceção, estimulantes, para não falar dançantes.

Quando a Ana Maria aumentava o som daquele radinho a pilha, o quintal da casa dos meus pais parecia uma pista de danceteria. Ela dançava enquanto trabalhava e eu, ao ouvir aquelas músicas que achava estranhas, pois eram diferentes das que os meus irmãos e pais ouviam, me remexia inteiro, do cérebro à ponta dos pés.

Para um garotinho tímido que nem eu, aquele som era irresistível e rompia todos os obstáculos e vergonhas. O meu cérebro gravava o ritmo das músicas e eu as eternizava em minha memória. Os meus pés se remexiam só de lembrar, e o sorriso era automaticamente estampado em meu rosto de menino acanhado. Era bom demais ser brega, e ainda é!

Porém, a breguice em nada se compara à cafonice. Essa, sim, é insuportável, lamentável e odiável.

O brega se liga ao popular na música, cultura e jeito de ser. É o romântico exagerado, o debochado, o elegante ao seu estilo e que cativa, irradiando alegria e contagiando o ambiente. Já o cafona... me perdoem, é absolutamente insuportável!

O cafona é aquilo sem a mínima elegância, o exagerado e que não faz o mínimo sentido para a realidade que se vive. É o caso das cópias das estátuas da Liberdade fincadas na entrada das lojas do velho nada charmoso, para não dizer cafona, da Havan. É o caso de muitas ostentações de novos milionários e bilionários e das ações, vestimentas e dos gostos de muitos de nossos políticos, em especial da extrema direita.

Aquele que se diz jovenzinho e que foi eleito por Minas Gerais, que se diz seguidor de Cristo e que parece pouco se importar com a caridade e fraternidade (pois nada faz a respeito), recentemente disse achar feio o prédio do Congresso Nacional brasileiro (obra dos famosíssimos e premiadíssimos Lúcio Costa e Oscar Niemeyer) e que achava lindo o prédio do Congresso dos Estados Unidos. Além disso ser viralatice, com todo respeito aos lindos viralatas, é de uma cafonice sem limites! E é esse o deputado que se chamou de Nicoly e vestiu uma peruca no Congresso, tentando conseguir risadas e ridicularizar as mulheres e as transexuais. Uma vergonha. Há uma outra deputada que usa tiara, como se fosse o mesmo sinônimo da então elegância que tal objeto traduzia na longínqua idade média. Tem também os que soltavam frases de efeito como: "vote no ...., pior que está não fica!". E tem o ídolo maior deles, o Trump, com seu cabelo e tom de pele dourados, imitando ouro, que quase todos dizem ser alaranjados.

Geralmente cafonas são os novos ricos e os novos poderosos que tentam ser extravagantes, mas têm é mau gosto, pouco requinte intelectual e nenhuma visão de atrativo popular. 

Chique e bom demais, porém, é ser brega, como o são muitas das músicas italianas e francesas de cerca de 50 anos atrás e a música de nosso eterno Sidney Magal.

A breguice é um dom, já a cafonice é uma verdadeira inaptidão ao cult, ao requinte e à elegância, e sinônimo de mau gosto inexpurgável!

(imagem: CLDF - Câmara Legislativa do Distrito Federal)

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