DIREITOS HUMANOS + NACIONAL DESENVOLVIMENTISMO = A RECEITA PARA O SUCESSO NO MUNDO MULTIPOLAR QUE SE AVIZINHA



Sempre acreditei na defesa dos direitos humanos ao lado da defesa dos interesses nacionais, como valores básicos da sociedade brasileira. Também sempre cri que apenas a industrialização traria reais progressos tecnológicos, salariais e econômicos.

Não estava errado, segundo o que vejo disseminado hoje. Atualmente, muitos economistas e analistas de geopolítica apontam para o nacional desenvolvimentismo, com a reindustrialização e a valorização do trabalho, como única saída para o crescimento real do país. Aponta-se o neoliberalismo como a causa da decadência econômica e moral da Europa e dos Estados Unidos, visível pelos resultados das guerras travadas e apoiadas no mundo afora.

A Rússia de hoje não é comunista, mas capitalista, e está longe de ser neoliberal. O seu governo adota política muito assemelhada à do nacional desenvolvimentismo brasileiro, e foi ela que propiciou crescimento salarial e econômico russos, além do expansionismo militar, mesmo sob fortes sanções econômicas e participando de guerras na Europa (Ucrânia), África (Líbia e outros) e Oeste da Ásia (Síria).

Políticos como Getúlio Vargas, João Goulart, Leonel Brizola e Ernesto Geisel, alguns de espectros tão diferentes, indo da direita, passando pelo centro até a esquerda, defendiam o nacional desenvolvimentismo. Os interesses do Brasil estão muito além da divisão que alguns pretendem implementar no Brasil. Um povo dividido não tem como defender os interesses nacionais, básicos e elementares para propiciar uma vida mais digna a todos, inclusive às gerações futuras.

O Brasil tem riquezas naturais cobiçadíssimas por todas as potências econômicas e imperialistas e por isso precisa ser capaz de protegê-las, assim como os seus interesses geopolíticos. Por isso, o desenvolvimento interno de armas baratas e eficazes, como mísseis de longo alcance, drones, veículos militares, incluindo aí aeronaves de ataque, é de extrema importância, seja para não dependermos de tecnologia externa em caso de conflito, podendo ser sujeitos de boicotes e sanções econômicas e militares, que tornariam impossível a reposição de peças e insumos, seja para evitar uma invasão terrestre ou até mesmo bloqueio naval que afete diretamente nossas importações e exportações.

O Brasil e a sua postura na defesa dos direitos humanos, de não intervenção e de soft power, poderá, mesmo sem armamentos atômicos, liderar o bloco do sul global, ao lado de potências econômicas, militares e nucleares como Estados Unidos, China, Rússia e Índia. É plenamente possível o Brasil assumir uma liderança global nesse mundo que toma forma, mas para isso precisa investir massivamente em reindustrialização, com destaque à indústria bélica de ponta, pesquisa em tecnologia e solução dos problemas sociais internos, primordialmente na erradicação da miséria e no combate à criminalidade. Isso dará autoridade moral e militar para a posição de liderança.

Só não podemos permitir que a divisão entre direita e esquerda nos eternize como colônia de exploração, nos trancafie no submundo da ignorância e submeta o nosso povo à triste condição de pobreza e miséria em meio à riqueza natural que abunda.

Ser nacional desenvolvimentista não é ser de esquerda ou de direita, mas pensar à frente, para um Brasil melhor para o hoje e o amanhã dos nossos futuros brasileiros. É o caminho para o progresso social e econômico, com reflexos geopolíticos importantes!

Deitamos em berço explêndido. Agora, levantemos e assumamos o papel que é nosso de direito! Como diz o economista Paulo Nogueira, o Brasil não cabe no quintal de ninguém! (o referido intelectual é autor de um livro de mesmo nome, lançado pela editora Leya).

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