A INÉRCIA GEOPOLÍTICA NA AMÉRICA LATINA É O MAIOR ERRO DO BRASIL


O Brasil já teve uma economia muito próxima à dos Estados Unidos, com economia agrária, no início do Século XIX. Porém, há quase 200 anos estamos distantes dos "irmãos do norte". 

Enquanto os Estados Unidos guerrearam com outros países, invadiram territórios e tornaram-se um país imperialista com a maior economia do planeta, o Brasil teve pequenos avanços econômicos, políticos e sociais, mas sempre teve que enfrentar uma parte poderosa de sua elite, retrógada e que não enxerga o Brasil como seu próprio país, mas uma colônia a ser por ela explorada.

Os Estados Unidos investiram rapidamente na industrialização. Mas no Brasil não foi assim. Dom Pedro II, Vargas, Juscelino e Jango enfrentaram inúmeras adversidades para industrializarem e desenvolverem o país como ele merece. A elite predominante queria um país agrário e com poucas indústrias, todas elas estrangeiras. Ela não aceitava ser comprometida com o Brasil e o seu desenvolvimento.

Foi assim que agiram contra Dom Pedro II, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, João Goulart e os militares Castelo Branco e Ernesto Geisel, além da Dilma Rousseff e Lula da Silva.

E essa elite não é apenas econômica. Participa também da política e do funcionalismo público. Parte significativa da elites dessas classes se sente aristocrata e entende que não está para servir o país, mas para ser servida, como era na época das Monarquias absolutistas.

Mesmo com todas as adversidades, mas devido ao seu tamanho territorial, à sua significativa população e às riquezas naturais, o Brasil é hoje a segunda maior economia das Américas, só perdendo para os Estados Unidos.

Sendo o mair país da América Latina e tendo uma economia importante, o Brasil deveria assumir a liderança do continente latino-americano, mas não o faz. Seria uma liderança natural. Porém, com ressalva ao Mercosul, o Brasil não vê o continente latino-americano como prioridade.

Se agisse com responsabilidade, evitaria tantas instabilidades que surgem no continente e agiria para integrar Cuba e Haiti economicamente, países com alta capacidade turística e agiria para impedir a invasão da Venezuela.

Erra quem pensa que assumir um papel dessa magnitude significaria ter gastos excessivos. Poderia até ter um certo gasto moderado, mas o retorno financeiro e geopolítico seria enorme se agisse juntamente com corpo de empresários brasileiros da indústria e da infraestrutura.

O Brasil, com sua omissão e passividade ao longo dos tempos, permitiu que os belicistas Estados Unidos crescessem os olhos nos países da região. O nosso país tem uma das melhores diplomacias do planeta e poderia ter negociado tanto a situação da Venezuela quanto a de Cuba e a do Haiti, um país injustiçado desde a revolução pela sua liberdade por países como Estados Unidos, França e até Brasil e que foi condenado à pobreza pela França e Estados Unidos.

A síndrome de vira-lata não é apenas de muitos brasileiros que não conseguem enxergar a qualidade de muitos de nossos profissionais, professores, cientistas, militares, filósofos e cientistas sociais, dentre outros, mas do próprio governo (e não culpo o Lula em si, mas todos os governos desde a redemocratização) que não vê a importância geopolítica da atuação do Brasil na região da sua vizinhança.

Com o seu silêncio, o Brasil perde importância, principalmente geopolítica, o que é um erro crasso para um país que almeja compor o Conselho de Segurança da ONU como membro permanente e ser uma das mais importantes economias do globo.

Não precisamos ter medo dos Estados Unidos, China, Rússia ou de qualquer outro país. Devemos sempre utilizar a nossa capacidade de negociação e interlocução, inclusive para marcar posição política, geopolítica e estratégica.

O não investimento em indústrias bélicas nacionais e em sistema de comunicação nacional, satélites militares com tecnologia nacional e um sistema de geolocalização por satélite também totalmente brasileiro, condena o Brasil a ser um eterno mero coadjuvante. Esses investimentos são a garantia de nossa soberania e de nossa defesa integral contra países que nos ameacem. Somente cresceremos quando tivermos interesse real e condições técnicas de nos defender.

A próxima eleição definirá se o Brasil será um eterno coadjuvante, submisso ao império e cada vez mais pobre e violento, com a eleição de entreguistas, ou se começará a se preparar para ocupar o nosso aguardado e merecido lugar na geopolítica mundial, com candidatos que se preocupam com a soberania, o povo e o progresso do país.

Comentários