imagem: ICL
É incrível como o Brasil e os demais países da América Latina, com exceção a Cuba, são submissos ao império e ao grupo de países colonizadores, o que não ocorre nem na África nem na Ásia, também colonizadas e também vítimas das intervenções constantes dos Estados Unidos.
Há várias razões para isso. A mais comumente citada é a de termos sido colônias de exploração. Mas essa explicação não me convence, pois a África e a Ásia também o foram e não são tão costumeiramente subservientes como por aqui.
Penso que a razão é falta de sentimento nacionalista. Mas nem sempre foi assim. Getúlio Vargas, com o apoio dos tenentistas e de boa parte da população, refundou o Estado Brasileiro com a criação do voto de maiores de 18 anos, de mulheres, do Código Eleitoral, da regra do concurso público, da industrialização, das universidades públicas, dos variados órgãos voltados ao desenvolvimento regional e à pesquisa, das leis trabalhistas e previdenciarias, das Justiças Eleitoral e do Trabalho. E contou para isso com o apoio massivo da população, de ampla parte da base dos militares e de boa parte do empresariado nacional, então apoiadores das causas do Brasil.
Até a Segunda Guerra o nacionalismo brasileiro era fortíssimo, imbatível, mas sob o regime de uma ditadura. Com o fim da Guerra, os Estados Unidos exigiram a redemocratização e um militar assumiu o governo. Após, com novas eleições, Vargas é eleito e volta à presidência, mas com uma forte oposição da UDN, de parte dos militares e de parcela do empresariado. Para evitar um golpe em 1954, pratica suicídio. O golpe se consumaria 10 anos depois.
Aí a pergunta. O que aconteceu com o Brasil para o nacionalismo se enfraquecer?
Ouso apontar a proximidade de parte da elite, dos políticos e dos militares com a eficiente propaganda dos Estados Unidos, o chamado soft Power, enquanto a maior parte da população continuava a apoiar o trabalhismo varguista.
Vargas era de centro. A extrema direita e os comunistas, cada um no seu polo político, faziam oposição ao histórico líder das massas.
Getúlio tentou consolidar uma boa educação de base até a universitária, mas cometeu o erro de não afastar os militares da perniciosa influência estadunidense.
Desde então o nacionalismo se enfraqueceu. Em 1964 ainda houve resistência, inclusive dos militares legalistas, mas sem sucesso. Por detrás do golpe estava o poderoso governo dos Estados Unidos.
E as ações contra o Brasil foram se sucedendo, muitas vezes por ações dos Chefes do Executivo que entregaram o patrimônio público à iniciativa privada, outras, pelos congressistas que diminuíram os direitos trabalhistas e outras por agentes públicos que, por vaidade e fama, quebraram empresas nacionais e atentaram contra os interesses do país para, com o apoio de governos estrangeiros, se lançarem na política.
E no meio disso ressurge uma extrema direita virulenta. Na Europa ela é nacionalista e contra o nefasto neoliberalismo, mas no Brasil e na América Latina, ao contrário, ela é entreguista, subserviente aos Estados Unidos e profundamente neoliberal, contra os direitos trabalhistas e sociais e contra o Estado Nacional.
Mas nada foi tão aviltante quanto as ações entreguistas da família Bolsonaro, de prometer a exploração da Amazônia pelos Estados Unidos, de prometer nossas preciosas terras raras aos estadunidenses, de encerrar empresas vitais, como de fabricação de Chips, de refino de petróleo e de produção de fertilizantes, de entregar nossas base estratégica de Alcântara, e de apoiar sanções e medidas intervencionistas contra empresas nacionais e o país.
Mesmo com isso, há, dentre a população grande parte de apoiadores a esses entreguistas traidores da pátria.
Em outras épocas ou em outros países ocidentais esses indivíduos abjetos seriam imediatamente presos e até fuzilados.
Daí se pode concluir que o sentimento anti-nacional que domina a América Latina teve início com uma propaganda de adesão aos Estados Unidos, com seu consumismo e uma propaganda massiva de seu "modus vivendi". Nova Iorque, Las Vegas e Miami passaram a ser os destinos preferidos da elite e da nova classe média, que antes era majoritariamente nacionalista.
Hoje, os nacionalistas são minoria no país. Enquanto a totalidade da extrema direita é rendida aos Estados Unidos, a direita democrática, o centro e a esquerda se dividem entre os poucos que defendem o nacionalismo e os muitos que veem os valores estadunidenses como universais, mesmo diante da decadência social, econômica e moral da até hoje maior potência mundial.
Se, por um lado, foi com a formação do Estado Nacional que houve a ascensão da burguesia e o surgimento do capitalismo, hoje, o neoliberalismo exige a concentração de poder em pouquíssimas e gigantescas empresas, principalmente as Big Techs e de alta tecnologia, com a informalidade do trabalho, diminuição de direitos, aumento da miséria e da concentração de rendas e o enfraquecimento da democracia, no que se chama de novo feudalismo, o Tecnofeudalismo.
Assim, apenas o Estado Nacional forte e democrático, que tenha como centro o ser humano e a prática de políticas públicas será capaz de propiciar o desenvolvimento, crescimento e a altivez do Brasil. E para isso é vital o sentimento nacional, o nacionalismo inclusivo. Sem isso, estaremos entregues à miséria e à subserviência.

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