O ERRO DO IRÃ


Quem pensa que os Estados Unidos querem negociar, parece estar enganado. Os EUA jamais deixariam, após supostas negociações,  Israel desconfortável diante de um Irã com moral elevada e geopolíticamente ainda mais relevante.

Os EUA esperam o momento certo de atacar, com o estrangulamento da economia iraniana que aumenta a cada dia e o treinamento de terroristas vindos de diversos pontos do Oriente Médio e não só das regiões fronteiriças. Se não fosse isso, já teriam encerrado a aplicação de sanções a quem quisesse passar por Ormuz pagando a taxa imposta pelos iranianos. 

Ademais, penso que o Irã não pode confiar no governo de um país que ataca quando diz negociar e que visivelmente enrola quando diz buscar acordo.

Há uma alternativa ao Irã, que entendo ser necessária para a sobrevivência do regime do país persa, que é atacar com intensidade brutal todas as bases estadunidenses restantes no Oriente Médio, em especial na Jordânia (uma exclusiva e outras duas das quais faz uso em conjunto com a Jordânia), de forma a deixar Israel sem radares de prévio alerta ao oeste de seu país, deixando-o em uma situação fragilizada e, ao mesmo tempo, aniquilando as últimas bases restantes dos Estados Unidos na região, enfraquecendo-o estrategicamente ainda mais.

Obviamente, isso deixaria os Estados Unidos furiosos e possivelmente atacariam pontualmente o Irã, em represália, mas serviria de alerta e aviso de que o Irã não está para brincadeira. A reconstrução das bases pode até ocorrer, mas levaria tempo, meses ou anos. Ao mesmo tempo, serviria para que Israel passasse a se preocupar com seu flanco leste, aliviando os ataques e a ocupação do sul do Líbano e serviria de condição para uma negociação que impusesse que os Estados Unidos saiam em definitivo de toda a região. Se o Irã conseguir a difícil retirada dos Estados Unidos da região, ganharão ele, a China e a Rússia, que já devem estar pensando nas próximas  movimentações do xadrez geopolítico. E se isso acontecer de fato, Israel será o grande perdedor pois não contará com bases estadunidenses no Oriente Médio, nem radares de alerta prévio no Oeste da Ásia. E, nessa condição, seus acordos informais com o Emirados Árabes Unidos e a Somalilandia não resultarão em ganho prático, pois os EUA já não estariam lá para seu socorro.

A paciência é uma virtude, mas se o oponente cresce enquanto ganha tempo, ela pode se transformar em  fraqueza. Daí a necessidade de o Irã adotar uma movimentação inesperada e de benefícios estratégicos efetivos, sem alarde.

Mas o Irã fará isso? Embora ache que devesse, eu duvido que o faça. O Irã está muito paciente, como era antes do início dessa guerra, e isso pode ser sinal de um erro fatal nessas circunstâncias.

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