imagens: Marinha do Brasil
O Brasil corre o sério risco de sofrer intervenção indireta e até direta por parte dos Estados Unidos, e não sou apenas eu que estou falando, mas muitos analistas de geopolítica, analistas de inteligência e autoridades de nossas Forças Armadas.
Os Estados Unidos estão classificando o PCC e o CV brasileiros como organizações terroristas, ao mesmo tempo em que tentam controlar a Venezuela, após o sequestro do Presidente Maduro, e ameaçam Cuba, Colômbia, Perú e México.
A Argentina cedeu espaço para uma base nos Estados Unidos e o Paraguai autorizou que militares, agentes policiais e de inteligência estadunidenses entrem e ajam livremente em seu território. A Argentina e o Paraguai são países integrantes do Mercosul, mas não só, são países com fronteiras importantes com o nosso território.
Ao mesmo tempo, a grande mídia divulgou o chamado "HondurasGate", um plano de ação orquestrada pelos Estados Unidos, Argentina, Honduras e até Israel para enfraquecer a esquerda na América Latina.
Feita essa breve introdução, para termos noção de como os Estados Unidos estão agindo na América Latina, passamos à breve análise sobre as possíveis ações dos Estados Unidos contra o Brasil, tendo como pretexto a declaração do PCC e o CV de terroristas.
Segundo a Lei antiterrorismo, com o reconhecimento dessas organizações de tráfico como terroristas, os Estados Unidos podem restringir vistos; impor sanções a pessoas físicas ou pessoas jurídicas que, segundo eles, tenham colaborado de alguma forma com essas organizações; além de congelar ativos financeiros. Bancos públicos e até o Banco Central podem, ao menos em tese, ser atingidos, incluindo aí a invenção brasileira da época do governo Temer, o nosso PIX.
Embora muitos digam que o Estados Unidos não possam invadir o território brasileiro com base nessa legislação, esse é o chamado "dever ser" do mundo jurídico, o chamado mundo ideal, mas o mundo fático e real é outro, bastando que lembremos que os Estados Unidos recentemente invadiram a vizinha Venezuela e sequestraram o presidente Maduro, sob o argumento de que havia tráfico de drogas, em claro sinal de que não há limites para o atual governo dos Estados Unidos. Também vejam o que os EUA fazem na guerra da Ucrânia e contra o Irã, bombardeando mesmo em meio a negociações das quais fazem parte.
O risco de serem adotadas medidas prejudiciais à economia são latentes. Empresas públicas e privadas podem ser alvo. Autoridades públicas também, assim como muitas pessoas comuns. E considerando-se o passado e o presente dos Estados Unidos, nada impede que acusem indevidamente políticos de serem ligados ao PCC e ao CV a fim de prejudicá-los em eventuais eleições ou no legítimo exercício de cargos eletivos. Bancos Públicos e o PIX podem ser alvos, ocasionando caos no financiamento de indústrias e do agronegócio, além de prejuízo ao comércio com sanções ao PIX brasileiro.
Também considerando a realidade fática, nada impede que os Estados Unidos utilizem o "terrorismo" como pretexto para bombardear São Paulo e Rio de Janeiro, destruindo indústrias, bases militares e a infraestrutura.
Considerando-se o que fizeram na Venezuela e fazem em Cuba, os Estados Unidos podem impor uma espécie de bloqueio naval, prejudicando nossas exportações e importações, afetando de perto a China, nossa principal parceira econômica. Para isso bastariam dois porta-aviões, um mais no nordeste do país e outro no sudeste, próximo ao sul.
Uma invasão terrestre é possível, mas improvável, considerando-se a enormidade de nosso território, o que exigiria milhões e milhões de militares de estadunidenses. No entanto, nada impede que os Estados Unidos tentem fazer incursões localizadas com um número mínimo de soldados, a fim de praticar atos terroristas ou atos de sabotagem.
O Brasil tem como se defender? Não da forma que deveria, pois não investimos adequadamente nas nossas Forças Armadas, e não digo em relação a dinheiro, mas em estratégia de defesa de baixo custo e alta eficiência, como o faz com maestria o Irã na guerra contra os Estados Unidos e Israel.
Se porta-aviões estacionarem a setecentos quilômetros de distância do litoral, não teremos como atingir com mísseis terrestres, mas apenas de nossos pouquíssimos submarinos, navios e caças militares, os quais poderiam ser alvo pelos potentes radares de detecção dos EUA e, assim, prontamente destruídos.
Nâo temos satélites militares próprios, não temos sistema de geolocalização próprio e não temos um sistema de comunicação nosso, o que facilita que os Estados Unidos possam nos deixar às cegas, sem recursos tecnológicos de localização, de radares ou de direcionamento de mísseis.
Podemos defender bem nossa Amazônia e nosso território, mas não da mesma forma a Amazônia Azul (área do Atlântico pertencente à nossa zona de proteção e exploração), onde o Brasil possui muitas bases de prospecção e extração (plataformas "offshore") de petróleo.
Devemos importar com urgência dezenas (o ideal seria centenas) de milhares de mísseis de curto, médio e longo alcance (de até mais de 2 mil quilômetros) e drones, muitos e muitos deles. Seria a defesa mais barata e efetiva. Também devemos fazer parceria de uso do sistema de geolocalização russo ou chinês (o europeu não, pois os EUA são membros da OTAN, e, assim, teriam acesso ao sistema, podendo deixá-lo inoperante no Brasil). Também devemos pensar em adquirir sistemas de comunicação impenetráveis pelos estadunidenses, além de ampliar a qualificação de jovens militares brasileiros em hackeamento e também em pilotagem de drones. Também precisamos de radares potentes para monitorar eventuais aeronaves a centenas de quilômetros de nossas fronteiras e de sistemas de defesa anti-aérea modernos. No caso, os países integrantes do BRICS+, China, Rússia e Irã seriam os melhores fornecedores, pois praticamente não utilizam tecnologia dos Estados Unidos e aliados próximos. O país persa se limitaria aos drones e mísseis.
Uma saída urgente também é ceder - sempre temporariamente - áreas para a instalação de bases naval e aérea dos BRICS+, para que os membros do organismo sejam responsáveis pela manutenção de segurança do comércio em regiões de interesse de circulação de mercadoria. No caso, a começar pelo Atlântico Sul, considerando-se a importância da região para todos os membros do organismo, que inclusive mantém relações com a nossa vizinha África. Bases no Rio Grande do Norte ou em Fernando de Noronha e também no sudeste ou sul do país são importantíssimas. O Brasil estaria mais seguro, assim como a própria China, dependente de muitos dos nossos recursos naturais (petróleo, minério, carnes, milho, soja...). A China também mantém um forte comércio com a África Ocidental e duas bases no Brasil assegurariam o livre comércio desses países para a China, impedindo que os Estados Unidos ameacem de bloqueio naval qualquer país do Atlântico Sul.
Uma medida como a acima solicitada depende da possibilidade de interação dos militares, a começar pela língua e visões militares em comum. Cursos de língua, seja em mandarim ou em inglês e cursos de formação de militares dos países integrantes dos BRICS+ é urgente.
É uma saída polêmica, mas a mais efetiva, que deve deve ser adotada apenas enquanto as nossas Forças Armadas não tiverem condições de produzir mísseis de longo alcance e drones em quantidade e com a tecnologia necessária para garantir a segurança da população, do nosso território e de nosso interesse econômico. Se a parceria militar dos membros dos BRICS+ for harmoniosa e exitosa, poderá se dar em outras áreas do globo.
Os militares brasileiros são excepcionais, bastando ver a fama que eles tinham perante os alemães, italianos e estadunidenses à época da Segunda Guerra Mundial. Eramos audazes, ferozes e até inconsequentes, nas visões deles. E assim somos quando se faz necessário.
O Brasil precisa planejar medidas efetivas de proteção ao nosso comércio, às nossas instituições, às nossas empresas, ao nosso território, à nossa área de interesse e ao nosso povo. Toda medida que possa proteger o quanto antes os nossos interesses deve ser analisada com a devida seriedade e urgência. Temos tempo para fazer, mas não a perder.
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