EUA SE PREOCUPAM COM AS MANIFESTAÇÕES POPULARES NA BOLÍVIA. POR QUAIS MOTIVOS?


As manifestações populares havidas em boa parte do território boliviano são manifestações majoritariamente dos povos indígenas contra opções neoliberais do novo governo de direita.

Mas essas manifestações preocupam o governo dos Estados Unidos por alguns motivos.

A Bolívia é um país fundamental para os Estados Unidos, pois tem as maiores reservas minerais de lítio, elemento essencial para as baterias de carros elétricos e como componente principal para muitos medicamentos psiquiátricos altamente rentáveis. Estados Unidos disputam com a China a produção de veículos elétricos e com a Índia a produção de medicamentos psiquiátricos a base de lítio. O interesse comercial é evidente.

E como se sabe, Bolívia, Chile e Argentina, com governos de direita e extrema direita, concentram as maiores áreas de lítio do planeta.

Como foi revelado pelo próprio governo dos Estados Unidos, há uma preocupação prioritária dos EUA com a América Latina, a fim de que ela sirva aos interesses - econômicos, políticos e estratégicos - do governo estadunidense.

E como revelou o "Hondurasgate", através de divulgação de aúdios vazados, há uma articulação entre políticos de extrema direita de Honduras, Estados Unidos, Argentina e até de Israel para que a América Latina, através de atos de desestabilização e revoluções coloridas, seja uma área livre de governos progressistas. Foram mencionadas ações contra os governos do México e da Colômbia.

O interesse dos Estados Unidos com a situação na Bolívia, portanto, vai além do comercial, sendo econômico, sim, mas também político e estratégico.

O receio é de que o movimento popular boliviano contra medidas neoliberais impostas pelos Estados Unidos possam iniciar manifestações e revoltas populares nos diversos países controlados por governos de extrema direita neoliberais da região, em especial Argentina e Chile e, caso a extrema direita vença no Peru, também nesse país andino. Há o risco das manifestações sociais bolivianas se expandirem para outros países controlados por governos neoliberais, enfraquecendo o movimento de direita e de extrema direita em todo o continente.

Os Estados Unidos estão monitorando os preparativos para as eleições brasileiras e acompanham de perto todos os movimentos populares e políticos na América Latina. O Hondurasgate, a ação na Venezuela e as ameaças a Cuba evidenciam que os Estados Unidos já estão agindo política, comercial e militarmente e também através de ações de inteligência na região.

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