O capitalismo teria surgido como sistema econômico entre o final do século XIV e o início do século XV, após o trágico feudalismo.
É evidente que os sistemas não surgem repentinamente e há sempre uma mudança gradual, e foi assim que o capitalismo foi sendo implantado, com os Estados-Nação que surgiam.
É um sistema de cerca de 700 anos e que trouxe à humanidade um chamado progresso, como avanços tecnológicos, e muito sofrimento e retrocessos.
A expansão para colonização pelos europeus se deu com o capitalismo. Foi com ele que também se deu a escravidão em grande escala, com a venda de negros africanos como escravos. Foi com esse sistema que as forças imperiais se colocaram em escala global, e não mais regional, trazendo intranquilidade não em regiões específicas, mas em todo o mundo.
Foi no meio desse sistema que se iniciaram as duas grandes guerras mundiais. Também foi com o capitalismo que se deram os grandes genocídios da humanidade (dos povos originários nas Américas, de povos negros africanos, de armênios, de judeus na Europa, de palestinos...). Foi nesse sistema e por causa dele que se deu o aquecimento global e o risco de extinção das espécies, inclusive humana.
Foi com o capitalismo que se deram as contratações em massa com salários que mal davam e dão para uma vida digna.
Mesmo diante de tudo isso há quem defenda esse sistema que privilegia a competição, a concentração de riquezas e de poder e a divisão do mundo entre os que detêm o poder, seres humanos dignos, e as coisas: recursos financeiros, recursos naturais e pessoas que prestam serviços. Sim, o ser humano que trabalha é tratado como objeto, nada mas que isso, como ocorria com os povos originários, os escravizados e as mulheres, até 100 anos atrás.
Para quem defende o comércio, ele existe há milênios, muito praticado pelos fenícios, descendentes dos cananeus e ascendentes dos libaneses, pelos chineses, persas e árabes. E àquela época não existia o capitalismo. Comércio, não se esqueça, não se confunde com capitalismo! É muito mais antigo que esse.
O capitalismo não significa a liberdade de trabalho, ao contrário. O capitalismo, como forma de concentração de riqueza e de poder, se movimenta contrariamente às liberdades individuais e coletivas e à própria democracia, propiciando o surgimento de plutocracias, do governo de quem tem dinheiro, muito dinheiro, de poucos.
O Congresso Nacional é uma prova da plutocracia brasileira, onde muitos deputados e senadores são eleitos por conta de um trabalho de lobby e financiamento por grandes grupos econômicos, não representando os interesses do povo, mas em grande parte dos chamados donos do poder.
O capitalismo, portanto, não é mais apenas um sistema econômico, mas de poder, de concentração deste, O resultado disso é o que temos visto com o neoliberalismo, enfraquecimento do Estado, diminuição das ações sociais e mais investimento em armas para forças de repressão.
Há que se pensar em uma alternativa em prol da democracia, da humanidade e do nosso planeta.
Temos que olhar, sem uma visão eurocêntrica, para a África e a Ásia. Temos que conhecer suas civilizações, suas histórias, seus costumes, suas filosofias e sua estruturas sociais e até suas visões sobre a Espiritualidade. Temos que conhecer as alternativas para uma criação ocidental que deu errado, muito errado.
Um mundo diferente daquele que destroi o ocidente existe e sobrevive "do outro lado do globo". A China adota um sistema capitalista na economia, regrado e controlado pelo Estado, de forma que aquele não interfira em assuntos próprios do país. No Butão valoriza-se a Espiritualidade, onde a felicidade é alcançada não pelos bens que se consome, mas pela paz alcançada com a vivência de uma forma diferenciada de Espiritualidade.
Temos que olhar criticamente para evitar a extinção da nossa espécie e temos que enxergar com ternura para compreender outras culturas.
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