AS DROGAS NO BRASIL, TRUMP, FLÁVIO BOLSONARO E A DESFAÇATEZ NA POLÍTICA

Os Estados Unidos herdaram do Reino Unido o dom da desfaçatez.

Eles são o país com o maior consumo absoluto de drogas do planeta, principalmente de maconha, cocaína e fentanil. E o nosso Brasil, com várias organizações criminosas voltadas ao tráfico, como o PCC, Comando Vermelho e até narcomilícias, fica na segunda posição no uso de cocaína e primeiro no de crack.

Enquanto 20% da população dos EUA diz já ter usado algum tipo de droga, esse número assustador é quase alcançado pelo Brasil, que tem pouco menos de 19% e a China, pasmém, 0,2%.

A China, e não os EUA, deveria ser imitada pelo governo brasileiro no combate às drogas, pois é exemplo de sucesso absoluto. É questão de saúde. É questão de Estado. É questão de segurança nacional.

Países famosos por serem violentos no combate à droga, como a Arábia Saudita tem um percentual de pessoas que já experimentaram alguma droga que chega a 4% de sua população.

O tráfico é preocupante? Obviamente, sim, mas a prioridade deve ser diminuir o número de dependentes e de usuários, pois enquanto existir consumidor, o crime sempre tentará dar um jeito de ganhar dinheiro. Não adianta só combater o tráfico existindo tantas pessoas querendo a droga. Tem que haver campanhas educativas, orientação familiar e tratamento eficiente e eficaz no combate à dependência, como ocorre na China. 

O mero combate ao tráfico apenas enseja investimentos massivos em armamentos vindos dos Estados Unidos, equipamentos de inteligência estadunidenses e israelenses e corrupção nos seios dos três poderes (executivo, legislativo e Judiciário) dos entes federados, corroendo orçamento e a própria administração pública por dentro. O combate deve existir, mas jamais ser a única arma. Ações de inteligência, voltadas a desbaratar as cúpulas das organizações e perseguir o movimento de dinheiro, armas e drogas, deve ser o alvo prioritário das ações policiais. Campanhas preventivas nas mídias, escolas, universidades e empresas e o tratamento e recuperação devem, ocorrer concomitantemente, a fim de diminuir o número de usuários e de dependentes. E o Brasil, como os números indicam no início do texto, tem todos os motivos para se preocupar com o uso de drogas e a consequente saúde da população.

A maconha, tão alardeada pelos usuários por ser considerada "libertária" e "alternativa", como o era à época dos sonhadores hippies, hoje é muito mais potente e viciante, podendo desencadear surtos psicóticos. Como tudo no capitalismo, a droga foi aprimorada para se tornar viciante e dar maior lucro imediato e a longo prazo para os traficantes. O tráfico de entorpecentes se tornou (na verdade sempre foi) capitalista.

E a China é sucesso não apenas na questão do combate ao tráfico, mas da dependência, com muitas internações involuntárias, inclusive. Saúde é algo prioritário para o governo chinês, como deveria ser em todo o mundo. A vida, à qual se relaciona diretamente a saúde, é o bem maior do ser humano. E aqui não me refiro ao suposto uso "recreativo", se é que a droga permite algum tipo de "recreação", mas de dependência, algo muito sério e no qual, segundo penso, o Estado deve intervir (na dependência).

Não se pode esquecer da dependência de ópio pela população chinesa por volta do século XVIII, que alcançava 27% dos homens. E não estamos falando de "uso recreativo", mas de dependência, algo extremamente grave e preocupante. De lá para cá o combate ao uso de drogas foi prioridade para os governos chineses.

Penso que se a pessoa já não pode livremente decidir a respeito da questão da droga a internação compulsória pode ser uma questão necessária a ser analisada, exclusivamente, por profissionais da área da saúde. A omissão do Estado e da família, nesse caso, segundo o que entendo, poderia configurar omissão de socorro, crime, para ambos e crime de responsabilidade para as autoridades responsáveis pela administração dos respectivos entes federados.

Mas voltemos aos Estados Unidos. Mesmo sendo o país que mais usa drogas no mundo e mesmo seus serviços de inteligência sendo famosos por usarem o tráfico internacional como arma para destituição de governos e financiamento de suas ações sem aprovação do congresso, diz pretender agir rigorosamente contra organizações narco-terroristas no mundo, em especial na América Latina. 

Isso, obviamente, é uma desculpa para invadir e interferir militar e politicamente em governos que não sejam de seu agrado. Ocorreu isso na Venezuela, quando sem prova alguma sequestrou e acusou o presidente Maduro de ser ligado a organizações voltadas ao tráfico. Acusa-se, da mesma forma, o progressista presidente da Colômbia. E a preocupação com o tráfico se comprova pífia com o indulto concedido por Trump ao ex-presidente de Honduras, Juan Orlando Hernandez, comprovadamente envolvido em narcotráfico e condenado a 45 anos de cadeia em solo estadunidense. E a liberdade concedida, como era de se imaginar, tinha motivação política, como indica o escândalo HondurasGate.

E em atitude totalmente antipatriótica, o pré-candidato a presidente da República do Brasil, Bolsonaro Filho (Flávio), em reunião rápida com Trump (sem tempo para se sentar, inclusive), pediu que o líder estadunidense reconhecesse expressamente o CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações narco-terroristas. Ou seja, além de pedir o bombardeio do Rio de Janeiro, há um ano, agora Bolsonaro Filho pretende facilitar que os Estados Unidos bombardeiem e invadam a qualquer tempo o Brasil. Isso após exigir de Vorcaro milhões de dólares, grande parte desviada para a compra de imóvel nos Estados Unidos, um verdadeiro paraíso fiscal que dificulta a plena investigação pelas autoridades brasileiras. 

Fico imaginando as cidades de São Paulo e do Rio, justamente as maiores do Brasil e sede dessas duas organizações criminosas (PCC e CV), sendo bombardeadas pelos mísseis estadunidenses a pedido do Bolsonaro Filho. Seria um horror e um crime imperdoável. Já vimos esses tipos de ações em outros países. Foi terrível. 

E o senhor Flávio Bolsonaro agradeceu a Trump e ao Secretário de Estado dos Estados Unidos pelo reconhecimento do PCC e do CV, sim, apenas dessas duas organizações criminosas, como terroristas.

Pense em quem se beneficia com ações massivas contra o CV e o PCC. Sim, são as outras organizações criminosas, inclusive as chamadas narcomilicias cariocas. Como se percebe, há muita demagogia e interesse político envolvido. E como apontam tantos políticos do RJ, Flávio teria envolvimento direto com muitas das milícias do Rio (cabe aqui às policias civil do Rio e Federal investigarem), justamente as beneficiárias diretas.

Se tudo isso não configura ilícitos de várias ordens (ético e cível) e crime de lesa-pátria, não sei mais o que falta para esse sujeito ser definitivamente afastado da política.

E com a absoluta falta de pudor por parte de Trump, Bolsonaro Filho (Flávio), como os fatos evidenciam, se sente um bom aprendiz.

É muita demagogia e cara de pau. Pensam esses políticos que os eleitores são trouxas. Será?

(Reeditado no dia 29/5 às 02h00)

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