NO JOGO GEOPOLÍTICO NÃO HÁ AMIGOS

Israel está atacando a Síria diariamente, mas combinou com os turcos? São eles, turcos, que apoiam o governo extremista sírio e que ajudaram a mudar o tabuleiro de xadrez no Oriente Médio, a favor de Israel e contra o Irã. Porém, Netanyahu não confia em Erdogan e pode ter ajudado a promover, por meio de ações de sua inteligência, grandes manifestações contra o líder turco.

A Turquia pode deslocar forças armadas para a região do Mediterrâneo sírio, assim como fez no nordeste, para combater os curdos. 

E se mandar tropas para o Mediterrâneo sírio, estará muito próxima do Líbano e não tão distante de Israel, o que pode soar como um alarme para Netanyahu.

A Turquia é uma grande potência militar, ao lado de Irã e Israel.

Israel enfraqueceu o Hezbollah e o Hamas, ao mesmo tempo em que conseguiu ver o Irã distante da Síria, mas isso não autoriza Israel a promover uma Guerra, ao lado dos Estados Unidos, contra o Irã,  impunemente. Esse será o maior erro de Netanyahu, e talvez fatal.

Netanyahu pode provocar grandes baixas ao Irã e destruir bases militares, mas o Irã não deixará de enviar milhares de mísseis balísticos contra Israel.
 
E se o Irã atacar fortemente Israel, milícias sírias e o Hezbolah podem ingressar em território israelense para o combate corpo a corpo. E se Israel estiver para ser derrotado, é possível - não estou falando que é provável - que a Turquia ingresse com tanques em solo israelense, podendo selar o fim do sionismo em solo do Oriente Médio. E isso não porque a Turquia odeie Israel, muito pelo contrário. A Turquia tem ótimas relações comerciais com os sionistas. O eventual ataque será para consolidar a irmandade muçulmana e angariar a simpatia do mundo muçulmano e uma liderança geopolítica na região, hoje disputada com Arabia Saudita e Irã.

Trump é inconsequente, assim como Netanyahu. O jogo geopolítico não é linear e não é  feito por amigos. 

O Irã corre o sério risco de ser atacado, assim como, por consequência, Israel. Nessa conjuntura, Netanyahu deveria ser mais cauteloso, pois pode provocar, contra si, ambições de supostos amigos.

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