A NOVA FASE DO CAPITALISMO: DITADURAS E MAIS GUERRAS



O capitalismo tem lá as suas fases. Uma delas, ao que parece, pela formação de muitos Estados capitalistas na atualidade, é o autoritarismo, a ditadura ou algo muito assemelhado a ela, onde a população perde o direito à participação popular.

Já tivemos o capitalismo mercantilista, o industrial, o financeiro e atualmente uma intermediação de capitalismo do conhecimento e tecnológico, onde as chamadas Big Techs, as indústrias de tecnologia de informação, têm muito poder.

No começo do capitalismo, a burguesia era importante e defendia um dos ditames da revolução francesa, o da liberdade, mas não a toda e qualquer liberdade, era uma liberdade para a iniciativa privada e a propriedade privada. Quanto à igualdade e  a fraternidade, lemas do iluminismo, adotados pela famosa revolução francesa, eram renegados pela burguesia capitalista.

Com a necessidade de se assegurar a liberdade, surgiu o que se chama de democracia liberal. O capitalismo foi se transformando e também as sociedades e os grupos de liderança.

Hoje quem manda, mesmo, não é qualquer burguês, mas os grupos poderosos, dentre os quais se destaca o da tecnologia. Isso, obviamente, nos Estados Unidos.

A ligação das empresas de tecnologia com o Estado americano é tão intensa que elas agem em nome dos próprios Estados Unidos. Através delas as agências de inteligência monitoram indivíduos de outros países e conseguem promover as chamadas revoluções coloridas (induzidas por agente estrangeiro). Através do algoritmo, as empresas de tecnologia ampliam a repercussão de postagens de certa tendência em prejuízo de outra, como alegadamente ocorre no Brasil em relação à esquerda, que é constantemente prejudicada.

Não é por outro motivo que as empresas de tecnologia declararam apoio a Trump e este exige dos outros países que não façam a regulamentação do setor. O motivo é o lucro. O que importa a elas não é a ética e evitar a propagação de mentiras ou a prática de crimes, mas tão somente um controle da sociedade pelos algoritmos e principalmente o maior número de visualizações e a decorrente publicidade, ou seja, o lucro.

Ao mesmo tempo em que assistimos a isso, vemos Israel e Estados Unidos, ou ora um ora outro, desrespeitando as leis internacionais e, impunemente, atingindo embaixadas, sequestrando presidente, iniciando guerras, praticando e prometendo praticar genocídio, destruindo pontes, hospitais, escolas, universidades, assassinando pequeninas crianças. E os Estados Unidos, em especial, ameaçando países, impondo sanções, aumento de tarifas e sanções. 

No plano interno, os Estados Unidos, o exemplo clássico de democracia liberal, até por ser a maior potência capitalista do planeta, vem demonstrando a propagação do autoritarismo com a criação e as ações autoritárias e violentas do ICE, intervenção do presidente em órgãos de paridade do Estado, interferência direta e nada discreta no FBI, na CIA e no Pentágono, retaliações a universidades privadas por questões que não são de agrado do governante, prisão de estudantes por se manifestarem em defesa do povo palestino, deportação de professores e estudantes que auxiliavam as manifestações em defesa dos palestinos, corte de investimento em ações sociais.

Na América Latina a extrema direita conquista a presidência de mais países, sempre defendendo ações populistas e medidas nada democráticas. Governantes autoritários tentam cooptar membros do Ministério Público, do Judiciário e de outros órgãos, inclusive das Forças Militares de seus países. Isso está sendo quase generalizado no continente latino-americano, enquanto a Europa titubeia.

O respeito à Constituição, às leis e à ética vai sendo relativizado pelos governantes e políticos de extrema direita. Vemos isso bem de perto com os nossos políticos da extremada direita. 

Para quem duvida que a tendência seja a autocracia e o fim da democracia liberal, está aí a realidade. A tendência é os Estados Unidos e os países sob sua influência direta adotarem regimes não democráticos, onde a decisão não será do chamado gestor, do administrador público, do Chefe do Executivo, mas, sem ser transparente e sob os perigosos lençóis, das Big Techs. E na América Latina sob a extrema direita, como é óbvio, a regra é a adoção de ações do interesse do governo dos Estados Unidos. 

Daí para a ditadura é um passo. Se esse pulo para a ditadura será realidade ou não só o futuro dirá, mas a democracia estará cada vez mais distante do povo nos regimes neoliberais sob controle da extrema direita. 

A luta pela democracia não é só brasileira, é mundial. Vivemos o risco de estarmos caminhando, com regimes autocratas, a uma terceira guerra mundial.

Se antes as guerras mundiais eram uma consequência do capitalismo, hoje o confronto em grande escala se trata de sua sobrevivência, pois suas contradições e a altíssima concentração de renda o estão aproximando do fim.

Comentários

A América que a princípio seria a promessa de integração dos povos migrando com a certeza de que seus territórios seriam divididos, isso no início de sua colonização e que prometia com todo mundo uma coexistência pacífica obteve do mundo um grande crédito de valorização. Daí veio Plano Marshall etc que acolheu grande parte nos territórios da América pelos imigrantes. Acredito que a falta de tolerância religiosa e promessas de grandes governantes que antecederam esse período dizimadas os povos indígenas e tentaram primeiro comprar esses territórios sem ao menos terem elaborado uma ética para cuidado com as terras matas e áreas verdes. O primeiro grande adversário dos Estados Unidos foi a União Soviética durante a guerra nas estrelas e a guerra fria. Os americanos estão colocados como um país racista maior dentre todos do mundo e as cerimônias da ku klus kan queimavam cruzes em passeatas em público todos encapuzados. As pessoas não sabem como mas os Estados Unidos são bem municípios de armamentos super poderosos que atendem às necessidades de vários hemisférios. Isto posto quem não se aliar-se com eles estará correndo perigo de ser atingido a relação entre o Brasil e os EUA hoje está abalada já que o Brasil apoiou a Palestina entre outros motivos que geram antipatia
blogdocyro disse…
O primeiro "grande " inimigo dos Estados Unidos talvez tenha sido a Inglaterra (da qual se libertou), ou o México (vizinho que era várias vezes maior que os EUA) ou a Espanha, que perdeu colônias importantes. Foram vários inimigos que se somaram na lista. Os Estados Unidos não têm a mesma capacidade bélica de antes, de invadir um Iraque ou um Vietnã, ou de aguentar uma guerra longa como a do Vietnã. Estão decadentes, seu povo empobrecido e uma minoria da minoria mais rica. O Brasil não se posicionou a favor da Palestina, embora devesse ter feito. Apenas recriminou o genocídio. Deveria ter feito mais. Quem está errado são os Estados Unidos, que passaram a ser odiados como nunca, e não o Brasil. O capitalismo decadente vive de guerras, mas isso só tende a acelerar o fim do império, para a sorte da humanidade! Ninguém chorará se os Estados Unidos se fragmentarem vários pequenos países. Uns serão mais civilizados, outros serão um terror, mas serão pequenos. É a tendência, segundo analiso. A nova etapa da humanidade, com curas e tecnologia já está aí, para vermos, do outro lado do pacífico, na China.