O HORRIPILANTE DESRESPEITO AO CORPO DA MULHER, VIVA OU MORTA

Esportes radicais viraram moda já faz um tempo e muitas empresas agem de forma nada profissional. Quanto a isso, posso dar um testemunho de quase 20 anos, quando fui praticar uma escalaminhada no Paraná, sendo que na parte da escalada não havia qualquer equipamento de segurança e as pessoas tinham que se segurar nas pedras contando apenas com a força das mãos. Por sorte ninguém se feriu ou morreu. Precavido, simplesmente sentei e me recusei a praticar a atividade e fui seguido pela maioria das pessoas, que foram se sentando atrás de mim. Apenas 3 jovens, todas elas mulheres, se arriscaram, e tiveram a sorte de conseguir fazer a perigosa escalada sem problemas, ainda bem.

Como resultado dessa moda de vivenciar o perigo, diversos jovens morrem por falhas de segurança nessas atividades esportivas. Uma delas foi Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de apenas 21 anos, que praticou o que se denomina de “rope jump”, quando se pula de uma ponte preso a uma corda, no interior do Estado de São Paulo. No caso dela, esqueceram de colocar a corda e a queda foi livre.

A família permanece quieta, sofrendo o luto, mas na internet se vê comentários absolutamente cruéis e desumanos, como o de “estupro” da jovem, no caso, de um cadáver.

É horrível de ler esses comentários que simbolizam desumanidade e a objetificação das pessoas. Mistura-se a frieza das redes sociais com o consumismo inconsequente difundido na sociedade.

O vilipêndio não é só ao cadáver ou à memória da jovem, é a todas as mulheres, como sempre objetificadas, e a Justiça deve agir, sim.

Lembro-me de quando era jovem e nas chamadas danceterias muitas mulheres eram abordadas por muitos jovens com passadas de mão nos cabelos ou até pelo corpo. Ao ver aquelas cenas, eu me irritava com os abusos e esperava uma reação da jovem para intervir em seu favor, porém elas ficavam caladas. Eu não conseguia entender o motivo do silêncio. Hoje sei que o silêncio era pelo medo de uma reação ainda mais agressiva. Tempos depois, em locais de férias da classe média, havia virado moda “pegar” mulheres a laço. Nem dá para comentar isso. Sorte que. Única presenciei esses "enlaces". 

A questão do respeito é algo que se aprende em casa e no dia a dia. Deveria haver uma campanha educativa para sensibilizar as pessoas. Contudo, a Justiça deve agir. O que os comentários sobre a morte da jovem evidenciam não é apenas crime, é uma enorme frieza psíquica que deve ser devidamente avaliada por profissionais da área médica. É um surto que aflige parte de nossos jovens.

Não se pode silenciar frente a essas atitudes desrespeitosas, seja da segurança, seja em relação ao corpo da mulher, viva ou não. As mulheres precisam ser respeitadas, assim como a família da jovem Maria Eduarda.

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